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Paris Sempre Paris

Uma viagem no mundo da fotografia com Henri Cartier-Bresson

21 de outubro de 2016

Nascido em 22 de agosto de 1908 em Chanteloup-en-Brie, Cartier-Bresson era filho de pais de uma classe média (família de industriais têxteis), relativamente abastada. Quando criança, ganhou uma câmera fotográfica Box Brownie, com a qual produziu inúmeros instantâneos. Sua obsessão pelas imagens levou-o a testar uma câmera de filme 35mm. Além disto, Bresson também pintava e foi para Paris estudar artes em um estúdio.

A foto "meninos negros correndo em direção à onda" (de 1930), do húngaro Martin Munkacsi foi a inspiração para Cartier-Bresson mergulhar de vez no mundo da fotografia.

A foto “meninos negros correndo em direção à onda” (de 1930), do húngaro Martin Munkacsi foi a inspiração para Cartier-Bresson mergulhar de vez no mundo da fotografia.

Em 1931, aos 22 anos, Cartier-Bresson viajou à África, onde passou um ano como caçador. Porém, uma doença tropical obrigou-o a retornar à França. Foi neste período, durante uma viagem a Marselha, que ele descobriu verdadeiramente a fotografia, inspirado por uma fotografia do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista Photographies (1931), mostrando três rapazes negros correndo em direção ao mar, no Congo.

Retrato de Henri Cartier-Bresson, Paris, 1967, foto Robert Delpire

Retrato de Henri Cartier-Bresson, Paris, 1967, foto Robert Delpire

Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, Bresson serviu o exército francês. Durante a invasão alemã, Bresson foi capturado e levado para um campo de prisioneiros de guerra. Tentou por duas vezes escapar e somente na terceira, depois de 35 meses, obteve sucesso. Fugiu e se escondeu em uma fazenda onde pode conseguir documentos falso que lhe permitiram voltar para a França. Lá, ele trabalhou secretamente contribuindo para que outros prisioneiros pudessem fugir, além de registrar com outros fotógrafos a Ocupação e Liberação da França. Ainda em 1943, voltou a Vosgues (departamento da França localizado na região Lorena),onde havia enterrado sua Leica.

Retrato de Henri como prisioneiro de guerra, Junho 1940 (autoria desconhecida)

Retrato de Henri como prisioneiro de guerra, Junho 1940 (autoria desconhecida)

Quando a paz se restabeleceu, Cartier-Bresson, em 1947, fundou a agência fotográfica Magnum junto com Bill Vandivert,Robert Capa, George Rodger e David Seymour “Chim”. Começou também o período de desenvolvimento sofisticado de seu trabalho.

A primeira câmera Leica de Henri Cartier-Bresson.

A primeira câmera Leica de Henri Cartier-Bresson.

Revistas como a Life, Vogue e Harper’s Bazaar contrataram-no para viajar pelo mundo e registrar imagens únicas. Da Europa aos Estados Unidos, da Índia à China, Bresson dava o seu ponto de vista especialíssimo.

Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registrar a vida na União Soviética de maneira livre. Fotografou os últimos dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses, logo após a Revolução Cultural.

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Na década de 1950, vários livros com seus trabalhos foram lançados, sendo o mais importante deles “Images à la Sauvette“, publicado em inglês sob o título “The Decisive Moment” (1952). Em 1960, uma megaexposição com quatrocentos trabalhos seus rodou os Estados Unidos.

Seja fotografando o funeral de Mahatma Gandhi, na Índia, ou o pintor Henri Matisse, em casa, Cartier-Bresson buscava representar o sentimento do momento com seu estilo clássico e sua composição geométrica.

Os anos seguintes foram de uma lenta deserção da fotografia e conseqüente aproximação com a pintura. Em torno de 1975, Cartier-Bresson já não fotografava mais, admitindo que, talvez, ele tivesse dito tudo o que podia através da fotografia. Segundo ele, a câmera agora ficava guardada em um cofre em sua casa e raramente era usada. E assim, após anos desenvolvendo sua visão artística com a fotografia, a pintura tomou conta de sua vida. Sua primeira exposição de pinturas aconteceu em na Carlton Gallery, em Nova York, em 1975.

Marilyn Monroe, por Cartier-Bresson

Marilyn Monroe, por Cartier-Bresson

Em 2003, Bresson ganhou da Biblioteca Nacional Francesa uma grande retrospectiva sobre o seu trabalho, contando com 350 obras, algumas delas inéditas, entre fotos, desenhos, livros, filmes e objetos pessoais, dispostos em ordem cronológica.

Cartier-Bresson veio a falecer no dia 2 de agosto de 2004, aos 95 anos em Montjustin, na França, onde foi sepultado em presença de uma dezena de pessoas. Os moradores de Montjustin plantaram uma oliveira aos pés de sua tumba, e os fotógrafos da Magnum fizeram o mesmo à cabeceira.

Em 2014 tive o privilégio de visitar uma mostra com seus trabalho no Centre Pompidou (foto abaixo)

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Fundação Henri Cartier-Bresson

Criada em 2003, quando Cartier-Bresson tinha 95 anos, juntamente com sua esposa Martine Frank, a fundação tem como objetivos administrar, preservar e expor sua obra além de apoiar e exibir o trabalho de outros artistas-fotógrafos, muitos deles pouco conhecidos pelo grande público.

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O prédio é pequeno e com fachada dominada por grandes janelas e possui 2 andares para exibições. No 3° andar há um espaço de descanso e de consulta do trabalho de Cartier-Bresson e sobre a exposição em cartaz. No mezanino, uma biblioteca cujo acesso é restrito.

Para saber mais

Cartier-Bresson – O olhar do século, de Pierre Assouline.

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Super indico esta maravilhosa biografia deste gênio da fotografia. O exemplar em minhas mãos foi um presente de minha querida amiga e primeira Professora de Francês, Martha Cereda, que hoje vive em Paris.
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Serviço:
Endereço: 2 Impasse Lebouis, 75014 Paris
Metrô Edgar Quinet, linha 6 ou Gaîté, linha 13. Ingresso: 8€.
Site: www.henricartierbresson.org

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Fontes pesquisadas: pro.magnumphotos.com / henricartierbresson.org / foto.espm.br / wikipedia