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Paris Sempre Paris

Paris – uma inexplicável história de amor

19 de julho de 2017

Recebo todos os dias, relatos, depoimentos e histórias sobre as experiências de pessoas em suas viagens à Paris. Histórias boas e outras nem tanto, que fazem parte de qualquer roteiro turístico ao redor do mundo. Mas quando se trata de Paris, percebo que esses depoimentos vem sempre carregados de emoção e nostalgia. O que será que a Cidade-Luz tem que causa esse efeito quase mágico nas pessoas? Talvez seja pela história que alí foi escrita, por suas igrejas, pelos museus, pelos artistas que alí viveram, pelos filmes, pelos bairros inexplicavelmente charmosos… sei lá… Nunca saberemos. O fato é que hoje recebi esta linda história de amor por Paris e resolvi compartilhar aqui. Pelas palavras, percebe-se que é algo que vem do fundo do coração de uma pessoa que mesmo estando no Brasil, vivencia Paris como poucos. Regina Auache fundou dois dos principais grupos de discussão no Facebook sobre Paris: O “Eu Amo Paris e a França” e o “Pessoas Apaixonadas por Paris – PAP”. Abaixo, seu belo relato:

A minha Paris

Muitas pessoas me perguntam o que é esse Amor por uma cidade a ponto de criar dois grupos e viver intensamente a viagem do outro como se fosse sua viagem.
Cada ser humano tem sua subjetividade e um olhar diferente para determinadas situações.
O meu relacionamento com Paris vem de longe. Nasceu comigo, posso assim dizer.
Meus vizinhos eram franceses e médicos, e pelas mãos da Mabel e do Jean, eu vim ao mundo.
Cresci frequentando a casa deles, brincava com seus filhos a Denise e o George.
Assim, vivenciei a cultura francesa. Me acostumei com os cheiros e sabores das comidas, alguns eu não apreciava. Os perfumes dos sabonetes de lavanda da Mabel me transportavam…lavandas? Onde cresciam e como eram? me perguntava…
O Chanel 5 também, cedo já conheci.
Não era uma época fácil de obter informações. Onde exatamente era a França da Mabel?
Eu era tão pequena e nada sabia.
Perguntei ao meu pai onde era a França. Ele me comprou um atlas.
Também sabia de um fantasma da Ópera e do corcunda da Notre Dame, coisas do imaginário de uma criança.
Mas nem estava na escola ainda.
Mas uma coisa era certa. Eu um dia iria para à França.
Éramos pobres, mas algumas pessoas da família viajavam e eu dizia sempre que também iria. Minha mãe me achava sonhadora demais.
Convivi com aquela família até os 12 anos. Uma tragédia aconteceu e somente ficou uma filha que foi embora para a França.
Mas o amor por um lugar que não conhecia era real e foi crescendo.
Fui estudar em um colégio de freiras – Nossa Senhora de Lourdes, e lá existe uma gruta. Eu rezava e prometia que um dia, iria a Lourdes.
O tempo passou, viajei a trabalho para os EUA e Canadá, mas nada tinha o brilho de um lugar que não conhecia.
Aos 29 anos dei de presente ao meu ex-marido uma passagem para Paris, marcada para um ano depois. Começamos a economizar.
Nossa surpresa porém, veio em seguida. Estava grávida, e a passagem não permitia remarcar nem reembolso.
Meu pai disse: nós tomamos conta do (a) nosso (a) neto (a). Vá realizar seu sonho de conhecer a “sua Paris”!
Eu trabalhava com turismo e a Air France estava demorando para emitir minha passagem e mandavam eu ter calma. Qual não foi minha surpresa quando recebi minha passagem e fui ver o valor para fazer o cheque e estava escrito no lugar do valor: tkt free! Com um bilhete escrito: “Boa viagem, com os cumprimentos da AF”.
Nós fomos. Eu fui conferir de pertinho todos aqueles cheiros e sabores da França.
Não vi os fantasmas. Mas ouvi os músicos tocando acordeon, como meu tio tocava as músicas francesas para mim.
Ah minha Paris…do metrô, dos cafés, dos fumantes, dos caminhos nos quais me perco e finjo saber onde estou. Paris cenário de filmes, inspiração para os poetas, pintores, escultores e amantes…
Da Torre, nem falo. Dispensa apresentações.
Paris tem luz própria. Não precisa tentar se igualar a lugar algum.
É minha, é sua, é nossa!
Mas porque escrevi tudo isto?
Porque vejo algumas pessoas comentando que é um sonho distante ou impossível.
Não é! Estabeleça prioridades.
E quanto aos grupos, criei para compartilhar o meu sonho e para que todos possam também fazer o mesmo.
Obrigada a você que leu…

Quero dedicar este texto a todos dos dois grupos que acreditaram no meu sonho e compartilham lá seus momentos.
Dedico em especial aos meus filhos Kalil e Lucas.
À minha querida Selva Lucia Cesar que por muito tempo acreditei ser a Santa Geneviève.
Ao amigo Tom Pavesi com quem aprendo muito.
Ao Rogerio Moreira, editor do blog Paris Sempre Paris – PSP.
Ao Roberto Corrêa Gomes.
À Helena Lacerda.

Regina Auache

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