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O que Napoleão Bonaparte tem a ver com a criação da margarina?

19 de janeiro de 2018

Provavelmente você ou alguém que você conheça, tem um pote de margarina na sua geladeira e a usa para passar no pão ou cozinhar. Porém, você sabe como ela foi criada e se tornou um dos itens mais presentes nas cozinhas do mundo inteiro?

A história da invenção desse alimento teve várias etapas, mas um dos pontos que chamam a atenção é que até Napoleão Bonaparte tem a ver com ela. Bem, mais precisamente o seu sobrinho, o imperador da França, Napoleão III (cujo nome completo era Carlos Luís Napoleão Bonaparte) – também conhecido como Luís Napoleão.

Primeiras experiências

O nome “margarina” deriva de uma descoberta no laboratório de um químico na França chamado Michel Eugène Chevreul (imagem acima), em 1813. Ele descobriu um novo ácido graxo, o qual decidiu chamar de “acide margarique”. Isso porque o material tinha uma aparência perolada e brilhante, que ele relacionou com “margarite”, a palavra grega para “pérola”, mas não chegou a usá-lo para a fabricação de algo comestível.

Várias décadas depois, Napoleão III (imagem abaixo) estava ponderando o fato de que não só as pessoas pobres em seu império mas também as suas forças armadas poderiam usar um substituto acessível para manteiga. Então, ele ofereceu uma recompensa para quem criasse uma opção barata para substituí-la.

Foi aí que entrou na história um outro químico, chamado Hippolyte Mège-Mouriès, que aceitou o desafio e inventou uma substância que ele apelidou de “oleomargarine”, que mais tarde foi encurtada para “margarina”. Em 1869, Mège-Mouriès patenteou o processo de criação da margarina que ganhou o prêmio de Napoleão III.
Agora, prepare-se para conhecer a fórmula criada por ele. Sua oleomargarine era composta principalmente de sebo bovino, sal, sulfato de sódio, suco gástrico de porco e um pouco de creme, sendo tudo aquecido e misturado para dar a aparência de manteiga.

O resgate da fórmula

Apesar de ganhar o prêmio, o produto de Mège-Mouriès nunca decolou realmente entre os consumidores da época, e o químico vendeu a patente a um empresário holandês chamado Antonius Johannes Jurgens (que foi um dos fundadores da Unilever) em 1871.

A empresa de Jurgens melhorou as técnicas de Mège-Mouriès e criou um mercado internacional para margarina, construindo fábricas na Alemanha, Noruega, Áustria, Suécia, Dinamarca, Noruega e Inglaterra.
Os empresários holandeses perceberam que, se eles queriam vender seu produto como um substituto da manteiga, seria útil a margarina parecer o máximo possível com ela. Dessa forma, eles fizeram melhorias na textura e correção da cor, deixando-a mais amarela. E, assim, foi dada a largada para a guerra entre manteiga e margarina no final do século 19.

Anúncio holandês de margarina de 1893. Fonte da imagem: Reprodução/Fading Ad Blog

Com o preço bem mais acessível do que a manteiga, a venda da margarina decolou e os empresários de laticínios assistiram a tudo indignados, mas começaram a agir e convenceram os políticos da época a aprovar a Lei da Margarina de 1886, que colocou um imposto de dois centavos (cerca de 50 centavos de dólar de hoje) em cada quilo de margarina vendido.

O declínio

Após duas décadas, esse imposto subiu para dez centavos (cerca de 2,61 dólares atuais). Por essas e outras, o comércio da margarina começou a entrar em crise, tanto que no Canadá a situação era muito mais grave e o produto tornou-se ilegal de 1886 a 1948.

Nesse mesmo período, em alguns estados norte-americanos, onde a indústria de laticínios tinha grande influência, colorir a margarina de amarelo tornou-se ilegal, desencorajando ainda mais as vendas e mantendo as pessoas viciadas em manteiga. Bizarramente, em alguns estados se tornou lei que a margarina teria que ser tingida de rosa.

A indústria de laticínios não parou por aí para boicotar a margarina e espalhou rumores negativos sobre a sua produção com gordura bovina. No entanto, o principal ingrediente utilizado na margarina estava prestes a mudar.

Nova fórmula

A falta de disponibilidade de gordura de bovinos, juntamente com as novas técnicas para a hidrogenação vegetal, fez o uso de óleos vegetais na formulação da margarina não apenas ser possível, mas muito mais economicamente viável.

Assim, entre 1900 e 1920, a oleomargarine começou a ser produzida com uma mistura de gorduras animais e de óleos vegetais. A Grande Depressão, seguida de racionamento durante a Segunda Guerra Mundial, levou a uma redução no fornecimento de gordura animal, e a margarina original quase desapareceu das prateleiras, dando lugar à versão de óleo vegetal.

Dias atuais

Desde então, muitos esforços têm sido feitos para tornar progressivamente a margarina mais saudável, como a introdução de gorduras saudáveis, substâncias que reduzem o colesterol e fibras, além do banimento das gorduras trans, que costumavam ser predominantes no produto. Houve também melhorias para deixá-la realmente com um sabor aproximado ao da manteiga.

Fonte: Claudia Borges – MegaCurioso.com.br

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