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Paris Sempre Paris

O Café mais antigo do mundo, frequentado por Napoleão, Victor Hugo e Benjamin Franklin

13 de abril de 2017

Em 1686, o italiano, nascido em Palermo, Francesco Procopio dei Coltelli, (foto abaixo), inaugura, em Paris, aquele que é considerado o Café mais antigo do mundo, em operação ininterrupta até os dias atuais.

SORVETE

Francesco trouxera de sua terra natal um invento que herdara de seu avô: o sorvete. E, determinado a melhorar o produto que se fazia até então, Procope aperfeiçoou o invento do avô e inovou nas receitas, substituindo o mel pelo açúcar. Tanto fez, que conseguiu homogeneizar os ingredientes, gerando um sorvete muito similar ao que conhecemos hoje. O fato é que “Monsieur Procope”, como era conhecido, reuniu tudo o que sabia e, rapidamente, conquistou a clientela com a excelência das bebidas e dos 80 sabores de sorvetes que servia, o charme do lugar e seu serviço refinado e atencioso.

CAFÉ

Como bebida típica do Oriente Médio conta-se que o café chegou até os franceses pela primeira vez em 1669, quando foi apresentado como o “vinho do Islã” pelo embaixador da Turquia ao Rei SOL, Luis XIV. E dizem que, com seus “poderes absolutos”, o rei passou a preparar a bebida pessoalmente, de tanto que gostou, seus convidados. O açúcar chegará depois, e mesmo amargo, o café virou moda na corte.

A CASA

O Le Procope foi instalado numa antiga casa de banho turco, preservando o estilo oriental e trazia amplas salas com o piso xadrez preto e branco, paredes revestidas com tapeçarias e espelhos, objetos esses até então reservados apenas às casas dos nobres. Com suas mesas de mármore com os pés ornamentados e os lustres de cristal e luz de velas, o Le Procope se torna rapidamente um ponto de encontro de pessoas da alta sociedade parisiense.

O atendimento era sofisticado : criados de peruca, avental e luva brancos cruzavam o salão carregando bandejas de prata.

Licores, doces em grande variedade, cafés, sorvetes caseiros e a utilização de sabores e especiarias como o anis, o coentro, o açafrão, pétalas de flor, frutas secas e geleias até então desconhecidas, transformaram o luxuoso estabelecimento em uma referência de classe e bom gosto.

TEATRO + CAFÉ = SUCESSO

Em 1687 uma feliz coincidência leva o grupo de atores do Rei, a “troupe de Molière” a se instalar no edifício em frente ao estabelecimento (ficou ali até 1770) e transformou o estabelecimento numa espécie de antessala do teatro, garantindo-lhe, por mais de 200 anos, um excelente movimento. Com essa conexão com o público que frequentava o teatro, o ar respirado no Le Procope passou a ser cheio de literatura e ciência. Molière, La Fontaine, Racine, Regnard e outros faziam parte dos frequentadores, que iam até lá para ver e serem vistos, ou ainda ler o La Gazete e Le Mercure Galant, se informar ou comentar os fatos políticos e sociais dessa segunda metade do século XVII (sim, a fofoca já era prática recorrente na época).

LOCAL DEMOCRÁTICO

Enquanto que em outros lugares da alta sociedade, era necessário um convite ou ainda ser sócio de um clube para garantir o acesso, no Le Procope essa “regra” não existia. Segundo Voltaire, “sua intelectualidade é seu convite”. A partir desse ponto de vista, a “seleção” dos frequentadores era natural…

CLIENTELA ILUSTRE

Após a morte do fundador em 1727, um dos 12 filhos de Francesco Procopio, manteve a tradição do local em reunir grupos animados que diariamente discutiam sobre “novas ideias”. Diderot, Rousseau, Voltaire, Montesquieu, foram fiéis frequentadores do local.
Em 1770 a companhia Comedie Française deixa as redondezas e pouco depois a família do fundador decide vender o negócio.
A ideia da primeira Enciclopédia nasceu ali. Foi alí também que Benjamin Franklin escreveu as primeiras linhas da redação da declaração de independência dos Estados Unidos ao lado de Voltaire, sobre sua mesa de mármore rosa (foto abaixo) – mesa que ainda hoje está no local, com o mesmo rachado causado pelo salto de sapato do orador e editor revolucionário Jacques Hébert em torno de 1790.

REVOLUÇÃO FRANCESA

Porém, nas mãos de um outro italiano, o senhor Zoppi, as discussões no Le Procope não ficaram menos acaloradas. E em plena Revolução Francesa, no final do século XVIII, o Le Procope foi rebatizado de Café Zoppi e tornou-se o lugar de reunião dos Jacobinos, eDanton, Robespierre e Marat, que tinha sua gráfica logo ao lado, adotaram o Café como sala de reuniões onde discutiam os rumos da Revolução Francesa (e também decidiam quem deveria ir para a guilhotina).

Placa de mármore registra a importância da casa nos rumos da Revolução Francesa.

Este restaurante esteve realmente engajado com os revolucionários, isto pode ser comprovado nas portas dos banheiros que indicam respectivamente: “Cidadão” e “Cidadã”.

NAPOLEÃO

Foi nesse local também, que o jovem General (ainda um ilustre desconhecido) Napoleão Bonaparte, costumava deixar seu chapéu como garantia de que voltaria para quitar a dívida (pelo jeito já existia o “fiado” naquela época). Como o chapéu ainda está lá, exposto na entrada do restaurante, consideramos que o último drink não foi devidamente pago.

RENOVAÇÃO

Após um período de decadência no final do século XVIII, o Le Procope ressurge com força total na primeira metade do século XIX, agora como restaurante. Outros personagens ilustres trazem de volta ao lugar sua alegria e o espírito do passado. Victor Hugo, Honoré de Balzac e outros se encontravam para uma partida de dominó ou um jogo de bilhar bebericando um café (provavelmente já brasileiro) ou ainda um copo de Absinto.

Em 1987, a casa foi adquirida pelo grupo Les Frères Blanc, dos renomados restaurateurs Pierre e Jacques Blanc, conhecidos como embaixadores da vida parisiense, que com o conceito “Brasserie de Luxo”, restauraram e revitalizaram diversos restaurantes históricos de Paris. Além do Le Procope, eles também estão à frente das casas Au Pied de Cochon, Chez Jenny, Le Petit Zinc, L’Alsace, La Fermette Marbeuf, Charlot Roi des Coquillages, Le Grand Café de l’Opéra, Brasserie Lorraine e La Taverne, servindo, no total, 10 mil refeições por dia.

Depois de uma grande reforma, o Le Procope foi totalmente restaurado, recuperando o esplendor de sua decoração original. Símbolo do passado, a mesa de Voltaire, instalada hoje num dos salões do primeiro andar da casa, testemunha sua perenidade. Visitado por turistas do mundo inteiro, o local continua a receber celebridades, sendo ponto de encontro de jornalistas, políticos, profissionais de teatro e artistas em geral.

Em 1992, o Café Le Procope foi tombado como Monumento Histórico pela prefeitura de Paris.

BÔNUS

Confira neste pequeno filme, feito por uma turista, um pouquinho do que lhe aguarda no Le Procope:

Serviço:
Le Procope: 13 Rue de l’Ancienne Comédie, 6th arrondissement
Próximo ao Metrô Odeon

Site: www.procope.com
Horário: Todos os dias das 11:30 à 00:00.
Confira o Cardápio
Recomendações:
Para jantares mais formais ou almoços tardios, lanches no final da manhã ou começo da tarde.

Fotos: Eurotours / Wikipedia / Google Search

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