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Paris Sempre Paris

10 passeios em Paris para trilhar os caminhos da Revolução Francesa

15 de fevereiro de 2018

Por Rogerio Moreira

Em 1789 a França era um país falido. Os exageros da corte com festas e recepções, os gastos excessivos com guerras, as divergências com a Inglaterra e os privilégios exclusivos ao clero e à nobreza, fizeram aumentar a insatisfação da população com o regime absolutista do rei.

Neste momento, a sociedade civil era dividida entre o clero, a nobreza e a burguesia, essa última, formada por parte da população que pagava impostos. Os impostos eram altos e serviam para bancar a boa vida da corte e seus escolhidos. Esse foi um dos motivos que levaram a população a se revoltar contra o sistema.

A incapacidade do rei em governar também motivou a Revolução. Além de levar o país à falência com sua péssima administração, ele ainda controlava os tribunais e fazia condenações injustas, de acordo com a sua conveniência. Os condenados eram levados à fortaleza da Bastilha, que depois seria invadida pela população.

Com tantas injustiças somadas à fome que se abatia sobre os mais pobres, a população se revoltou contra o rei e seu poder absoluto. As principais reivindicações eram o fim dos privilégios que o clero e a nobreza desfrutavam e a instauração da igualdade civil.

O movimento teve o apoio dos burgueses, que viam a má administração como um obstáculo para o desenvolvimento da economia. Os intelectuais e a imprensa também denunciavam a situação, e buscavam conscientizar as pessoas.

Hoje em dia, muitos dos locais que serviram de cenário para toda esta história ainda estão intactos e esperando por sua visita. Confira nossas dicas abaixo:

Clique nas fotos para ampliar

1 – Place de la Bastille

Marcação na foto indica o local exato onde ficava a fortaleza da Bastilha.

Local que marcou o início da revolução em 14 de julho de 1789, quando a Bastilha, uma prisão francesa, também usada como armazém de armas, inaugurada em 1380, pelo rei Carlos V foi tomada por populares e saqueada como forma de demonstrar a revolta com o governo absolutista que imperava na França até então.

Imagem em 3D mostra como era a Bastilha. Créditos AGK-Images

Os 32 guardas suíços e alguns soldados locais com apenas três canhões não puderam conter a revolta e a invasão. O prédio foi incendiado na ocasião e demolido em novembro do mesmo ano. Ao contrário do que muitos pensam, o obelisco desta praça não tem (quase) nada a ver com a Revolução Francesa mas isso é assunto para outro post.

Saiba o que aconteceu com as pedras retiradas da Bastilha

2 – Château de Versailles

Além de ser a residência oficial dos reis da França, o Château de Versailles (Castelo de Versalhes) foi palco em 5 de outubro de 1789 da “Marcha sobre Versalhes”, uma manifestação organizadas por mulheres revoltadas contra a falta de pão (principal alimento do povo naquela época).

Charge usada nos jornais da época retratando o episódio.

Com uma grande seca ocorrida no ano anterior, a produção agrícola diminuiu, fazendo os preços dos alimentos dispararem, levando a fome para as cidades e a miséria para zona rural onde vivia 80% da população. Este movimento acabou por reunir milhares de pessoas inconformadas com o sistema político e pedindo por reformas imediatas. A população cercou, e invadiu o palácio, exigindo a ida imediata da família real para Paris para um governo mais transparente, junto ao povo.

Place d’Armes, 78000 Versailles

Assista o vídeo sobre o Château de Versailles

3 – Jardin des Tuileries

A família real, com Luís XVI e Maria Antonieta após ser obrigada a deixar Versailles, se estabeleceu durante três anos no hoje extinto Palais des Tuileries (Palácio das Tulherias) sob vigilância popular até planejar uma fuga frustrada para a Bélgica, então sob domínio da Áustria (episódio conhecido como “Fuga de Varennes” – ocorrido entre os dias 20 e 21 de junho de 1791). O Palais des Tuileries não existe mais, pois foi destruído por um incêndio em 1871. O que restou foi o lindo jardim do palácio, o Jardin des Tuileries, onde ainda existe resquícios do palácio, que ficava entre o Arco do Triunfo do Carrossel do Louvre e o Jardin des Tuileries.

Repare na foto acima que além do antigo palácio, é possível ver ainda o Arco do Triunfo, no final da Champs Elysées.

Detalhe na cor Cinza, indica o local exato do antigo palácio.

4 – La Conciergerie

O edifício fazia parte de um complexo chamado Palais de Justice, originalmente um palácio real. Foi transformada em prisão durante a Revolução Francesa. Aqui, os prisioneiros aguardavam o momento de encararem a guilhotina e o local era considerado uma espécie de antecâmara da morte. O espaço de tempo entre os anos 1793 e 1794 ficou conhecido como “Período do Terror”, quando milhares de pessoas, contrárias aos ideais revolucionários foram mortos por decapitação.

A prisioneira mais famosa foi a rainha Maria Antonieta, que ali ficou confinada, separada de seus filhos até sua morte na guilhotina em 16 de outubro de 1793. Atualmente o edifício é um museu, onde você poderá visitar uma réplica da cela onde a rainha viveu seus últimos dias (foto acima).

2 Boulevard du Palais, 75001

Leia nosso artigo sobre a Conciergerie

5 – Place de La Concorde

Originalmente chamada de Place Louis XV, durante a Revolução, o local foi rebatizado de Place de la Révolution. Ela fica entre o Jardin des Tuileries e o início da Champs Elysées
No dia 13 de julho de 1789, foi nesta praça que a população invadiu e roubou as armas guardadas no Garde-Meuble (Guarda Móveis – que ficava localizado no local) para se prepararem para a tomada da Bastilha, no dia seguinte.
Durante a Revolução, a praça era passagem obrigatória dos protestos, cortejos e desfiles, sejam eles improvisados ou organizados pelos líderes do movimento.

Placa fixada no chão, cita os personagens ilustres que alí foram guilhotinados.

O local tornou-se ainda mais frequentado principalmente depois que ali foi instalada a guilhotina, aparelho utilizado para decapitar prisioneiros políticos “inimigos da Revolução”. Calculam-se 40 mil vítimas da guilhotina entre 1792 e 1799. No período do Terror, entre (1793 e 1795), constataram-se mais de 15 mil mortes na guilhotina, incluído o rei Luís XVI (21 de janeiro de 1793) e a rainha Maria Antonieta (16 de outubro de 1793).

Com o fim do “Período do Terror”, o governo decide rebatizar a praça como Place de la Concorde, em 1795.

6 – Le Procope

Inaugurado em 1686 pelo italiano nascido em Palermo Francesco Procopio dei Couteli, o Le Procope é considerado o café mais antigo do mundo em operação ininterrupta até os dias atuais.
Frequentado por Molière, Voltaire, Benjamin Franklin, Napoleão Bonaparte e mais tarde por Victor Hugo e Balzac, este local serviu como uma espécie de Quartel General dos líderes da Revolução. Era ali que os Jacobinos Danton, Robespierre e Marrat discutiam, entre um trago e outro, os rumos da revolução.

13 Rue de l’Ancienne Comédie, 75006

Leia nosso artigo sobre a história do Le Procope

7 – Pont de la Concorde

Esta ponte que fica entre a Praça da Concórdia (margem direita) e o Quai d’Orsay (margem esquerda). Ficou conhecida como Pont Louis XVI, Pont de la Révolution, Pont de la Concorde, novamente Pont Louis XVI durante a Restauração Bourbon (1814), e novamente em 1830, Pont de la Concorde, o nome que mantém até hoje.
O arquiteto Jean-Rodolphe Perronet foi contratado em 1787 para construir esta nova ponte. Ela tinha sido planejada desde 1755, quando foi iniciada a construção da atual Praça da Concórdia. A construção continuou em meio às turbulências da Revolução Francesa, com pedras retiradas da prisão Bastilha, que acabara de ser demolida pelos revolucionários. Por essa razão, os franceses de hoje (os mais interessados em história), ao atravessarem a ponte, consideram estar “pisando” na monarquia.

Confira nosso álbum com mais de 40 imagens da Revolução Francesa

8 – Hôtel de Ville

Este edifício que abriga a administração municipal desde 1357, costumava ser a “sede oficial” dos revolucionários e onde um dos líderes do movimento, Maximilien de Robespierre (conhecido como “O Incorruptível) e seus apoiadores costumavam se reunir para a tomada de decisões. Foi neste mesmo endereço que o próprio Robespierre foi preso, juntamente com seus aliados, antes de também ser guilhotinado em 28 de julho de 1794, dando fim ao “Período do Terror”.

Place de l’Hôtel de Ville, 75004

Leia nosso artigo sobre Robespierre

9 – Hôtel des Invalides

Sob ordens de Louis XIV este local, concluído em 1677, foi planejado para ser um hospital para soldados feridos em combate assim também como alojamento para os combatentes inválidos da França (função que exerce parcialmente até os dias atuais). A maioria do espaço do complexo se transformou ao longo do tempo em um grande museu que conta a história das guerras em que a França se envolveu, desde as medievais até a segunda guerra mundial. Tem ainda uma ala dedicada exclusivamente à memória de Napoleão e suas batalhas. Sem dúvida o maior destaque é o mausoléu, construído sob a abóbada dourada da antiga capela real, para acomodar os restos mortais do imperador. Em 1840, o rei Luís-Philippe decidiu repatriar o corpo de Napoleão Bonaparte (1769- 1821) da ilha de Santa Helena para Paris.

Depois de diversas honras militares os restos mortais foram depositados, em 15 de dezembro de 1840, numa das capelas desta igreja enquanto aguardavam as obras de adequação para que se fosse acomodado de forma definitiva.

Somente em 02 de abril de 1861 o corpo de Napoleão foi depositado no local onde se encontra até os dias atuais (foto acima).

O que liga este local à Revolução Francesa é o fato de que em 14 de julho de 1789, milhares de homens invadiram suas dependências (que também servia como um armazém de armas do exército) e conseguiram boa parte do armamento que seria utilizado na famosa “Queda da Bastilha”, no mesmo dia.

Place des Invalides, 75007

Leia nosso artigo com 10 curiosidades sobre Napoleão

Basilica de Saint Denis

A abadia é conhecida por abrigar a maioria dos restos mortais dos reis e rainhas da França ao longo da história. Durante a Revolução, o local foi saqueado e os túmulos revirados (numa visita ao subsolo você poderá ver muitos túmulos saqueados, que foram preservados como os revolucionários os deixaram na época).

Na parte interna da abadia muita coisa teve que ser reconstruída após a Revolução e os túmulos refeitos. Os corpos de Luís XVI e Maria Antonieta, mortos na guilhotina, foram inicialmente enterrados no extinto cemitério de Madeleine e transferidos para Saint Denis em 21 de janeiro de 1815 (foto acima).

1 Rue de la Légion d’Honneur, 93200 Saint-Denis

Confira nosso artigo com a história da Basílica de Saint Denis

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